O sítio Pedra Liza, diga-se de passagem, escrita com z e não com s, proporcionou-me nestas férias uma experiência inigualável em contato com a natureza. Natureza simplesmente pura, saída das mãos do Criador. Em alguns lugares ainda intacta e preservada da ação humana. Porém, não só a natureza é o aspecto predominante, mas também a convivência familiar da companhia alegre e entusiasmada de Selma Nobre que ora nos visita em Florânia, juntamente com sua irmã Lourdinha Nobre, matriarca da família, ao lado do casal das Dores Nobre e Seu Jorge com a grata presença de seu netinho Hélison. O casal atualmente mora e zela pelo lugar, “para onde todos os caminhos levam a ele”, à Pedra Liza.
Ocasionalmente, cá estou eu com minha esposa Silmara Rejanny e minha sogra da Guia Nobre aproveitando o sossego da Casa Velha da Pedra Liza, de alpendre vistoso, portas e janelas largas, parece abraçar quem chega da cidade de Florânia, ansioso por um bom descanso nas redes armadas e bem abertas, preguiçosamente à espera dos anfitriões.
Quando se está bem acomodado à sombra do alpendre, percebe-se sem demora uma vista que enche os olhos de admiração, cujas nuvens chuvosas apontam altaneiras sobre a popular serra do carvão. Os periquitos, de quando em vez, dão o ar da graça com o seu canto. E por falar em canto, como se não bastasse o das rolinhas, das seriemas e cigarras na margem do açude, ainda se pode ouvir o canto do pássaro Mãe da Lua durante à noite inteirinha, anunciando bons presságios para o agricultor que espera por chuvas nessa época do ano aqui no sertão do Seridó.
O sítio pedra liza, na zona rural do município de Florânia, localizado entre os Bentos e Salgado, faz fronteira com o Município de Jucurutu/RN e é um colírio para os nossos olhos, uma vez que sua natureza acorda todos os dias deslumbrante por trás de suas serras. Visitando o sítio e vasculhando um pouco da sua história, não dá como não lembrar da figura de Seu Hercílio Nobre, um homem que, antes de tudo, amava a agricultura e fazia questão de viver da terra com uma família de 12 filhos criados, dos 23 nascidos, fora moradores e trabalhadores do sítio. Conta-se que Seu Hercílio, ao ver a mesa farta de alimentos, perguntava a todos: “Observem a mesa e vejam o que tem comprado?”. Praticamente nada era comprado, a não ser a farinha e a rapadura, mas o resto, tudo era produzido na Pedra Liza. Talvez, por isso mesmo seus filhos sejam tão apegados à terra de origem. A terra da qual surgiu boa parte da tradicional família nobre.
A harmonia do homem em seu estado interior com a Natureza à sua volta é muito marcante. Vacas, bezerros, burros, jumentos, açudes, rios, peixes, serras verdinhas, pássaros, estercos. Tudo em volta cheira à natureza.
A noite é um pouco estranha porque é muito quieta e calma, sem a companhia da televisão, do PC e da internet nos víamos apenas com o barulho do mijar das vacas no curral durante toda a madrugada. Mas o dia foi de todo empolgante. A Selma, tia de minha esposa não parava de fotografar o movimento da natureza que transcorria silenciosa sem pedir licença. É uma beleza magistral poder não apenas ver, mas sentir a presença de Deus em tudo isso. É Deus que está aqui agora, porque é Ele o responsável direto por tudo. É ele quem dá luminosidade ao céu. É ele quem enche de vida as matas. É Ele quem nos chama para contemplar o seu infinito. É Deus quem distribui com amor os benefícios da terra. Somente Deus toma para si a imensa Criação e diz assim: fiz para que a dominasse com inteligência. O livro do Gênesis tem a ver conosco!
Para terminar, muito me impressionou um achado curiosíssimo da Sra. das Dores Nobre de uma telha antiquiquíssima, datada do século passado(11 de dezembro de 1914), que provavelmente remonta da construção da Casa Velha da Pedra Liza muito anterior a esta data(fins do séc XIX)que, dentre outras tantas coisas que contam, o seu alicerce até a alta calçada toda feita manualmente de pedras enormes, possivelmente pedras carregadas em lombos de burros.
A Pedra Liza reuniu um pouco de tudo nesse passeio de dois dias, histórias, saudades, família, reencontro com a Natureza do lugar e, finalmente, a comida simples e saudável à base de coalhada, queijo de manteiga, leite natural, peixe, frutas, enfim....

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e
Especialista em Metafísica pela UFRN

Páginas na internet:
www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com
www.twitter.com/filoflorania


Qual foi a contribuição da “Nouvelle Theologie” nos anos 40?

A “Nouvelle Theologie” trata exatamente do binômio graça e natureza, retomando o amplo sentido de debate sobre os dois planos na perspectiva de que a Natureza(todo o ser) é originária e vocacionada à graça como dom divino. E apesar do valor “ecumênico que procuram dar a esses dois planos de debate, a graça continua consistente emades seus aspectos ou características fundamentais: individual, gratuita e não empírica.

Em que sentido os anos 70 contribuíram para uma mudança de perspectiva no panorama teológico da graça?

Os anos setenta se evidenciam na história como sendo a época da crítica religiosa, do secularismo e das relações sociais em muitos ou diversos ambientes culturais. Toda essa gama de extremismos conceituais fizeram com que a Teologia da graça tomasse um rumo cada vez mais antropológico.

Uma perspectiva psicológica da graça de Deus:

Esta afirma que a graça é o marco da vida psíquica do homem. Utiliza-se de categorias psicológicas, concretas e sensíveis para elaborar a relação fundamental entre Deus e homem na história da salvação. Termos como graça, liberdade, justiça e salvação vão perpassar por todas as necessidades do entendimento humano. Desde a liberdade perdida em Adão e reconquistada com Cristo que a Natureza decai diante das exigências de Deus. A liberdade, a justiça e a justificação, em relação as atitudes ou comportamentos do homem na Sagrada Escritura são uma sequência lógica da percepção e da reação da Natureza no encontro com a graça. A natureza da graça se manifesta na natureza mesma do homem. Agostinho de Hipona trabalha muito bem este aspecto da graça na intimidade do ser humano. E Tomás de Aquino conduz a relação de “Natura” e graça, tomando como pano de fundo o aspecto da subsistência/sustentação ou substrato(categorias aristotélicas) da Natureza à própria graça. A graça é pois a sustentação do “ser” com todos os seus estímulos racionais; vontade – inteligência – liberdade. Não se deve reduzir esta perspectiva em relação às outras que são as considerações metafísicas e personalistas em torno do dom divino, pois, acima de qualquer consideração, está o mistério de Deus. O homem é sempre iluminado, atraído e recriado por esse dom divino maravilhoso.

Prof.: Jackislandy Meira de Medeiros Silva.


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