De onde vinha sua força?
E o que você me diz de Josué,
Que conseguiu fazer o sol parar?
Como pode aparecer o Quarto Homem,
Se pra dentro da fornalha, apenas três o rei lançou para morrer?
Se você fosse Abraão, eu lhe pergunto:
"Levaria o seu filho em holocausto para oferecer?"
E quem ainda não ouviu falar de Jó,
Que em meio a tantas lutas esperou com paciência no Senhor?
E de um jovem pequenino e corajoso,
Que com apenas uma pedra numa funda, um gigante derrotou?
É difícil imaginar como Israel gritou tão alto,
E pôs abaixo a muralha que cercava a Jericó,
E quando Sara achou que estava tudo acabado,
Deus tocou em sua madre e ela pode um filho, então, gerar...
É uma questão de fé,
Pois, nenhum desses é melhor do que você,
É uma questão de fé,
O mesmo Deus de ontem, te contempla e te vê,
É uma questão de fé,
Agora é a sua vez, chegou a hora,
Ninguém pode impedir...
Não tenha medo, assuma agora o seu lugar de vencedor,
Pois, o segredo é confiar seus passos,sua vida ao Senhor,
Não jogue fora essa chance, a sua história é importante,
Ele quer te ajudar a escrever...
Se está passando no vale, glorifique ao Senhor,
Se o inimigo te cerca, Deus te fará vencedor,
Se a prova está doendo, irmão, louve a Deus...
Se está passando no vale, glorifique ao Senhor,
É uma questão de fé,
Pois, nenhum desses é melhor do que você,
É uma questão de fé,
O mesmo Deus de ontem, te contempla e te vê,
É uma questão de fé,
Agora é a sua vez, chegou a hora,
Ninguém pode impedir...
Não tenha medo, assuma agora o seu lugar de vencedor,
Pois, o segredo é confiar seus passos,sua vida ao Senhor,
Não jogue fora essa chance, a sua história é importante,
Ele quer te ajudar a escrever...
Se está passando no vale, glorifique ao Senhor,
Se o inimigo te cerca, Deus te fará vencedor,
Se a prova está doendo, irmão, louve a Deus...
Se está passando no vale, glorifique ao Senhor,
Música de Rose Nascimento in http://letras.mus.br/rose-nascimento/600666/
A impressão que se tem
quando dormimos é que os sentidos e a razão perdem suas forças. A consciência e
o corpo parecem descansar para recuperar suas energias. Talvez o sono seja a
experiência humana mais próxima da suspensão da vida, um estado em que a
existência do eu se evade, sai de si e se refugia no nada, no tédio ou na
fadiga, de modo a percebermos que a verdadeira vida está ausente.
Nessa direção se abre
uma chave de leitura para o episódio bíblico narrado no livro de Jonas, onde a
personagem central que intitula o próprio livro desobedece ao seu Deus, achando
ele que poderia fugir ou evadir-se da presença de Deus. Mal sabia Jonas o que
estava para acontecer. Ao fugir para Társis, visto ser o lugar mais longe
possível para a época, sobretudo aos olhos dos hebreus, Jonas tenta renunciar à
sua missão: Ir a Nínive, a grande cidade, e anunciar contra ela sua maldade,
pois está desagradando a Deus (Cf. Jn 1. 2, in Bíblia de Jerusalém, impressão
de 1993).
Teimosamente e de modo
muito rebelde, Jonas não vai aos ninivitas para fazer o que Deus lhe pedira, no
entanto toma um navio e zarpa para Társis. Só que durante a viagem, algo de
sombrio e extraordinário acontece. Deus lança sobre o mar uma terrível
tempestade a ponto de a um só tempo, por consequência do vento violento, o
navio naufragar e os marinheiros a gritar assustadoramente. Pelo tom dramático
que o autor sagrado põe nessa história dá até para imaginar a cena de desespero
dos marinheiros implorando, cada qual ao seu deus e ao seu modo, socorro e
salvação.
Quanto tumulto,
desespero, medo e gritaria nesse ambiente! Porém nada disso incomodava o sono
de Jonas, que se encontrava no fundo do navio deitado e dormindo profundamente (Cf.
Jn 1. 5). Nem mesmo o mar bravio conseguia acordar Jonas.
Até que, finalmente, o
comandante do navio aproxima-se dele e diz: “Como podes dormir? Levanta-te,
invoca o teu Deus! Talvez Deus se lembre de nós e não pereceremos”(Jn 1. 6).
Depois de lançarem a
sorte e descobrirem que havia sido Jonas a causa daquela terrível tempestade,
os marinheiros foram obrigados a jogar Jonas no mar para que o mar acalmasse a
sua fúria. Daí segue-se o que mais se sabe da história de Jonas, Deus determina
que um peixe grandioso engula Jonas e que ele permaneça nas entranhas do peixe
três dias e três noites.
Somente quando Jonas
reconhece que Deus é Deus através da sua oração com clamores e súplicas é que,
de repente, o peixe o vomita sobre a terra.
Gostaria de chamar
atenção para duas coisas nessa preciosa história. Primeira, o sono de Jonas não
é como o sono de um justo trabalhador que, extenuado pela dura carga de
trabalho, faz uma humilde pausa de recuperação de energias, contudo, é “manter-se
no descumprimento do sono”(LEVINAS, Emmanuel. Da existência ao existente. In CINTRA, Benedito E. Leite. Pensar com Emmanuel Levinas. São Paulo: Paulus,
2009, p. 39-40). Segunda, ou o sono de Jonas quer significar a “epoché”, conforme
a qual o homem procura renunciar à certeza, interromper seu juízo sobre as
coisas e confrontar toda a afirmação a uma dúvida intensa (desgosto e rebeldia
do profeta Jonas) ou nos permite dialogar com a forte ideia bem representada na
obra do artista espanhol Francisco de Goya, O
Sono da Razão Produz Monstros (1796-1797).
Não nos esqueçamos do
final da história segundo a qual o profeta queria a todo o custo fazer justiça
aos ninivitas pelos males cometidos, ao passo que Deus teve misericórdia do povo.
Enquanto o homem leva até às últimas consequências o tribunal da razão, Deus e,
somente Ele, quebra a lógica fria da razão com a doce ternura do amor.
Prof. Jackislandy
Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Bel.
e Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.
Eu tentei de tantas formas ser feliz
Mas despreso foi tudo que consegui
Como sofreu o meu coração
Cheguei até pensar que a minha vida era ficcção
Pois num beco sem saida, não via chance de um dia ser feliz
E estando eu naquele triste estado
Corpo ferido e coração magoado,
Tudo se concretizou, Jesus além das forças não me provou
Me fez feliz e a minha hitória ele mudou,
E o meu passado como página virou
Agora já passou
É uma página virada em minha vida
Pois no espelho eu não vejo mais feridas
De um passado que feriu meu coração
Agora tudo mudou,
Sou abençoado e hoje canto assim
Na certeza que Jesus está aqui
Morando dentro lá no fundo,
Do meu coração.
De Shirley Carvalhaes para nossa meditação neste Ano Novo.
(Imagem: Romero Britto)
A essa altura do ano os encontros se multiplicam
compulsivamente, se é que podemos classificar esses agrupamentos de pessoas de
“encontros”, uma vez que mais parecem ajuntamentos forçosos pela conveniência
de datas tradicionalmente reconhecidas como o Natal e o Ano Novo. Encontros
precisam ser espontâneos, verdadeiramente amigáveis e alegres. Quando se impõe,
exige e força um encontro, não flui como deveria ser, de um modo criativo,
surpreendente e generoso.
Encontros são encontros, simplesmente, inclassificáveis e
obedece, na minha opinião, à ordem do por vir, do vir a ser de Heráclito de
Éfeso. Temos encontros diários e permanentemente.
Penso que quanto mais nos enfadamos das festas, reuniões ou
até mesmo desses rituais de fim de ano, mais e mais necessitamos, ficamos
sedentos e desejosos de verdadeiros encontros, semelhantes aos que costumamos
experimentar em família, entre amigos, num aniversário surpresa, num jantar
imprevisto, em circunstâncias criadas naturalmente, onde as pessoas vão
chegando, chegando e a atmosfera do encontro vai se constituindo cheia de
alegria e gratidão. Não dá mais para suportar encontros produzidos,
superficiais, monótonos e sem imprevisibilidade. Quanto mais o tempo passa, os
anos se vão e a bagagem da vida aumenta, aí é que precisamos de encontros
assim.
A alegria é fruto de um bom encontro carregado de afetos bons.
Por isso que volta e meia dizemos que um bom encontro é cheio de vida e alegria,
de “afecções” dessa natureza. Estamos alegres quando nos sentimos afetados por
pessoas alegres que vão aumentar em nós essa potência. Era justamente isso que
entendia Spinoza, filósofo holandês do séc. XVII, sobre os bons e maus
encontros. Para ele, é da nossa natureza afetar e ser afetado por outros, de
modo que a vida é uma intensa possibilidade de encontros.
Só que um encontro alegre se traduz em conquistar, por menor
que seja, um pedaço daquele ambiente, daquele encontro, entrar nele, sentir-se
parte dele, assumi-lo. Seria o encontro comigo dentro. Ele me preenche e eu o
preencho. Eis a alegria!
Por sua vez, o mau encontro se dá na medida em que os afetos
não se combinam, diminuindo sua potência de ser. Aí vem a tristeza que surge da
separação de uma potência que não me integra, não me preenche, não me põe
dentro do encontro. Eis a tristeza!
Algumas vezes, é certo, não depende de nós mudar os
encontros, nem sempre temos o poder de mudar as ações, de influenciar, as
circunstâncias não nos permitem, as condições menos ainda, enfim. Porém, agir é
sempre bom, é interessante agir diferente, criar novas ações neste Natal e Ano
novo, abrir-se a experiências novas e inusitadas de encontros parece ser uma
tentativa bastante louvável para quem deseja encontros alegres com afetos que
se combinem, se completem.
Espero que todos procurem bons encontros, encontros alegres,
neste Natal e fim de Ano.
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Bel. e Licenciado em Filosofia, Esp. em
Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.
Se tem um tema que realmente demanda muita “metafísica” e nos
joga para dentro do drama da existência humana, esse tema é a morte. Essa
desconhecida costuma deixar cicatrizes profundas na história e mais ainda na
consciência individual e coletiva de todos nós, mas também é capaz de produzir
um intenso movimento a favor da vida, quando não, ao menos nos faz refletir e a
parar diante dela.
Muitos acidentes de trânsito, tragédias difíceis de apagar,
certamente levaram pessoas abnegadas a defender regras mais eficazes de
promoção da segurança nas estradas. Assassinatos, homicídios, guerras e
catástrofes acabam transformando nossas vidas e até mudando nossos
comportamentos a cada momento. Tornamo-nos piores ou melhores, porém alguma
coisa muda, alguma coisa sai de lugar com a morte. A morte dá uma guinada na
vida da gente.
Por causa da morte do seringueiro Chico Mendes, defensor
político dos interesses dos trabalhadores do Estado do Amazonas e contra a
exploração irracional da floresta, muitos saíram de suas casas e levantaram a
bandeira de luta social e política a favor do meio ambiente, a favor da vida e
da desconstrução social. Não é tão diferente com o impacto causado pela morte
de centenas de estudantes e trabalhadores cidadãos na época da ditadura militar
perseguidos pela censura e pelo cerceamento dos direitos civis. Quem não lembra
da revolução que a F1, campeonato de automobilismo, sofreu em virtude da morte
de Ayrton Senna! Os EUA ainda não superaram o trauma criado pela morte das
quase três mil pessoas, vítimas dos ataques às torres gêmeas em setembro de
2001!
Curioso, mas ainda hoje, depois de mais de sessenta e cinco anos
não nos esquecemos da segunda guerra mundial, das bombas atômicas em Hiroshima e
Nagasaki, dos campos de concentração, da morte em massa de mais de seis milhões
de judeus. Ora, não sai de nossa memória, após 2013 anos, a morte cruel e
brutal de um judeu, Jesus, o tradicional filho do carpinteiro, o Galileu. Como
todas as outras, mas, sobretudo, com esta, temos muito o que aprender: Aceitar
a morte, uma vez que é a nossa própria condição humana; além disso, vencê-la;
atravessar e ser atravessado por ela, de modo a refletir uma vida justa,
honesta e corajosa.
O filósofo francês Jean Paul Sartre, em vida e mesmo após a sua
morte, nos deixou um legado praticamente universal, por isso não menos
existencial, de que somos condenados à liberdade. Na mesma proporção e talvez
mais contundente ainda, essa condenação possa servir para o dado da morte.
Somos também condenados à morte porque somos humanos. Parece óbvio, mas basta
nascermos, basta estarmos vivos para morrermos.
Ao nos remetermos para o contexto da velhice do Rei Salomão,
muitíssimo experimentado em anos, vemos uma corajosa forma de encarar a
morte/vida, sacudindo de nós a poeira da vaidade, pois não passamos de pó e
cinza. Pensar a morte é encarar a vida com tudo o que ela significa na visão do
autor do livro bíblico do Eclesiastes, é saber-se insuficiente,
impregnado de vitalidade, é transformar-se em um homem de verdade: “Não te
apresses em abrir a boca; que teu coração não se apresse em proferir palavras
diante de Deus, porque Deus está no céu, e tu na terra; que tuas palavras
sejam, portanto, pouco numerosas. Porque as muitas ocupações geram sonhos, e a
torrente de palavras faz nascer resoluções insensatas” (5.1-2).
Fica a pergunta: Sabendo que vamos morrer, e isso não nos
escapa, ainda assim nos envaidecemos, como agiríamos, então, acaso não
soubéssemos que morreríamos?
Vale aprender do koheleth, como é conhecido o livro do Eclesiastes em hebraico: “[Lembra-te
do teu Criador] antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de
ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao
poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (12.
6,7).
Prof.
Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel.
em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em
Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.
www.twitter.com/filoflorania
(A xilogravura "Conversação Campesina", de Ernst Ludwig Kirchner)
Tradicionalmente, as calçadas das cidades do interior do RN, no Seridó, são uma espécie de seara de instigantes e variadas conversas, que vão do simples disse me disse a outros assuntos ligados à política ou até às curiosidades históricas do lugar. Na verdade, são espaços públicos assim como praças, mercados, parques e ruas, que servem também de ambientes sugestivos para entreter as pessoas e jogar muita, mas muita conversa fora mesmo, aliviando assim a carga diária de trabalho.
Era muito comum e ainda é, diga-se de passagem, observarmos essa prática ao cair da tarde, entrando pela noite, em pequenas cidades iguais a nossa. Engraçado que em cadeiras, redes, sentados no chão e mesmo em pé, sem cerimônia alguma, nos entregamos ao papo gostoso das calçadas, agregando a ele as novas e velhas notícias, boas e más, doces e amargas. Imagino o que seria de nós, pobres mortais, atolados na mesmice cotidiana e sobrecarregados de privacidade, se não fossem as benditas calçadas com seus incríveis cidadãos que nos fazem ouvir, falar, rir, brincar.
Faço questão de tratar desse assunto aqui porque quero me juntar àqueles sem pudor, livres do rótulo “politicamente corretos”, vistos por muitos como os que não fazem nada, preguiçosos e levianos, quando, na verdade, só estão conversando, partilhando graças e desgraças, despertando opiniões, multiplicando conceitos, desfazendo mal-entendidos, dramatizando as notícias, polemizando, construindo histórias.
Não nos esqueçamos de que foi simplesmente assim; disseminando notícias, espalhando as boas novas que o Evangelho nos alcançou grandemente. Da mesma forma os cantos do velho Homero, hoje conservados em livros, conhecidos como obras clássicas, Ilíada e Odisseia, antes precisaram dos contadores, multiplicadores, conversadores das proezas dos deuses e feitos dos heróis. Mitos e lendas que se perpetuaram em nossas cidades também se conservam graças aos papos quentes das calçadas.
Sem muito esforço, lembro-me que meu avô, logo chegasse do trabalho, pois era padeiro, após o banho e o jantar, quase sempre à tardinha, saía de casa para sentar-se na calçada numa “preguiçosa”, – como chamávamos, antigamente, as cadeiras mais confortáveis, feitas de madeira e tecido no meio – portando seu radiozinho, cumprimentando e conversando com quem passava ou com quem se atrevia a apear-se do burro.
Um costume admirável não só para preservar as histórias do lugar, mas também para aliviar a rotina e arejar a cabeça.
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco
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