Qual foi a contribuição da “Nouvelle Theologie” nos anos 40?
A “Nouvelle Theologie” trata exatamente do binômio graça e natureza, retomando o amplo sentido de debate sobre os dois planos na perspectiva de que a Natureza(todo o ser) é originária e vocacionada à graça como dom divino. E apesar do valor “ecumênico que procuram dar a esses dois planos de debate, a graça continua consistente emades seus aspectos ou características fundamentais: individual, gratuita e não empírica.
Em que sentido os anos 70 contribuíram para uma mudança de perspectiva no panorama teológico da graça?
Os anos setenta se evidenciam na história como sendo a época da crítica religiosa, do secularismo e das relações sociais em muitos ou diversos ambientes culturais. Toda essa gama de extremismos conceituais fizeram com que a Teologia da graça tomasse um rumo cada vez mais antropológico.
Uma perspectiva psicológica da graça de Deus:
Esta afirma que a graça é o marco da vida psíquica do homem. Utiliza-se de categorias psicológicas, concretas e sensíveis para elaborar a relação fundamental entre Deus e homem na história da salvação. Termos como graça, liberdade, justiça e salvação vão perpassar por todas as necessidades do entendimento humano. Desde a liberdade perdida em Adão e reconquistada com Cristo que a Natureza decai diante das exigências de Deus. A liberdade, a justiça e a justificação, em relação as atitudes ou comportamentos do homem na Sagrada Escritura são uma sequência lógica da percepção e da reação da Natureza no encontro com a graça. A natureza da graça se manifesta na natureza mesma do homem. Agostinho de Hipona trabalha muito bem este aspecto da graça na intimidade do ser humano. E Tomás de Aquino conduz a relação de “Natura” e graça, tomando como pano de fundo o aspecto da subsistência/sustentação ou substrato(categorias aristotélicas) da Natureza à própria graça. A graça é pois a sustentação do “ser” com todos os seus estímulos racionais; vontade – inteligência – liberdade. Não se deve reduzir esta perspectiva em relação às outras que são as considerações metafísicas e personalistas em torno do dom divino, pois, acima de qualquer consideração, está o mistério de Deus. O homem é sempre iluminado, atraído e recriado por esse dom divino maravilhoso.
Prof.: Jackislandy Meira de Medeiros Silva.
É preciso escrever o “status questiones”, qua a questão em jogo? Qual o problema aí contido como diria Pitágoras.
A Bíblia, por si mesma, em inúmeros textos, tanto nos Evangelhos quanto nas Cartas do Apóstolo Paulo, bem como no Livro dos Hebreus, resgata a clareza e a beleza no que diz respeito à Teologia fundamental. É extraordinária a forma como a fé vem apresentada nesses textos. Esplêndido!
Círculos concêntricos, já na introdução do Evangelho de João quando anuncia que o Verbo se faz carne. A síntese da fé e da razão numa pessoa, Jesus Cristo. Voltas e mais voltas são dadas ainda mais no tocante à fé cristã quando da preocupação do Apóstolo Paulo em exortar as suas comunidades, sobretudo a comunidade de Filipos. A subida e a descida do segundo capítulo de Filipenses é de tirar o fôlego. Jesus, o Filho de Deus, é desfigurado, feito tapete, humilhando-se até a morte de Cruz, e só depois é exaltado, sobrexaltado, hiperexaltado, pondo-se acima de todo nome porque é o próprio poder sendo coroado de Glória e Majestade.
A Teologia cristã tem um princípio pressuposto absoluto. A Teologia tem um fundamento dado uma vez por todas: “A Escritura é Sagrada”.
Qual a relação entre fé e razão? Como posso chegar a crer que Jesus é Filho de Deus, embora sendo homem? Como crer no Mistério da Encarnação?
O problema posto no início dessa nossa conversa desdobra-se até o Séc. XIV, finzinho da Idade Média, com o NOMINALISMO(corrente filosófica que reduz a verdade das questões a nomes, a vozes recheadas de ar, “flactus voces”) e com um reformador protestante, Martinho Lutero que, mesmo não conhecendo uma Filosofia Escolástica Clássica, faz duras críticas a realidade dos sacramentos na Igreja católica, bem como a forma que são administrados tais sacramentos, afirmando a ineficácia deles para com a natureza humana uma vez que permanece perversa e pecadora. Segundo ele, só a esperança da santificação é a segurança da natureza humana. “Sola gratia”(só a graça). “Sola fidei”(só a fé). Enfatiza a Carta de Paulo aos Romanos 5. 20: “Onde abundou o pecado, aí superabundou a graça”.
Futuramente, este problema irá desembocar-se numa outra elaboração filosófica mais acirrada que são as vertentes modernas do marxismo e do liberalismo. O marxismo que postula um princípio ordenador da natureza humana, da inteligência, é a luta de classes acompanhada do capital, um dado puramente material. Por outro lado, o Liberalismo encorpando uma proposta de Modelo Único para todas as culturas. No entanto, a Filosofia não tem um princípio ordenador absoluto, pois ela questiona e discute todos os campos do saber, todas as coisas. É o saber desinteressado, é o saber pelo saber que visa ao autêntico esclarecimento da realidade.
Onde está a Filosofia hoje?
Com o nominalismo não se pode atingir a realidade, a verdade. Tudo é mera discussão. A ontologia foi destruída da Filosofia em tempos de uma exploração do corpo, dos instintos sexuais com o freudianismo e com o relativismo.
A Filosofia tem genitivos restritos do ser pensante. O questionar se restringe a setores e a Sagrada Escritura contribui para guardar o sentido original da Filosofia como saber metafísico de todas as áreas de conhecimento. A Filosofia não é uma ciência, mas um questionar único e absoluto. A ética não tem sentido senão houver uma ontologia.
A razão humana precisa da fé para ela ser plenamente razão. Esta é paraplégica senão se abre à fé. A fé é mutilada sem a razão. Ela precisa intrinsecamente da razão.
Como a razão pensante crítica do ser humano precisa da fé? Em dois níveis: No nível da experiência cotidiana, a vida humana é em si uma mutilação substancial senão se abrir à confiança, ao amor, à amizade; No nível da Filosofia crítica sistemática, em última instância, pergunta-se: Qual o sentido último da criatura humana? O fio condutor aqui é o Motor imóvel de Aristóteles.
A religião cristã é superior a qualquer uma outra porque é um evento, Jesus Cristo. Daí, João chamar os milagres de “sinais”.
A fé precisa da razão em três níveis: Pela fé em Jesus ser responsável deve ser questionável. Um exemplo disso é o cego de nascença. Abre-se assim a possibilidade para a fé ser mais pura. É importante considerar que na fé cristã, Deus não se revelou como Motor Imóvel, isso é apenas abstração. Toda a verdade Revelada vira, transforma o meu ser. Não é uma abstração. Na Teologia, o mais objetivo é o mais subjetivo, conforme Karl Rhaner. A fé, por si mesma, tem a necessidade de saber mais. Ela apela a uma releitura.
A fé tem suas verdades básicas, mas por uma verdade da fé Jesus se explicita. “O Pai e eu somos um”(Jo. 22.30). A razão me ajuda a penetrar nisso. A razão não traz outra verdade, mas visa explicitar, clarificar. Deus de Deus, luz da luz. Assim como Pitágoras, a Filosofia não me leva a mais do que isto: “Eu sou o amante da sabedoria”.
Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e Filósofo.
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A ternura de Deus e a vitória sobre o mal.
A fragilidade humana: sinal de Deus que reconstrói a vida.
A vida de Cristo é uma oferta de graça. É ela que determina uma novidade na vida da pessoa. Principalmente, quando nos acontece uma experiência de graça.
Existe uma contradição: entre o ser; e o dever ser. A filosofia contemporânea elabora uma dialética sobre esses dois problemas.
Deixamos pra lá as contradições e nos apegamos às coisas. O niilismo, a negação do valor das coisas. A Reconciliação com Deus é a superação da divisão nas estruturas conflitivas que se encontram principalmente no coração do homem. Os exemplos são evangélicos: Mateus e Zaqueu. Um dia vocês serão salvos. Os primeiros que são tocados por Cristo são amados: “Vinde e vede”. Rm 7.14-25 – DIVIDIDOS. A divisão não é de origem dialética hegeliana e marxista, mas de origem ontológica, a partir dos conflitos internos do ser humano, sublinhado pelo apóstolo Paulo. Superar a divisão e vencer quando não se vê alguém dividido ou quando não se está dividido parece tarefa fácil. Agora, superar a divisão dentro da realidade e encontrar uma unidade pra ela é já uma tarefa honrosa. Pois se vence pela presença da Pessoa de Cristo, pelo encontro com a pessoa de Cristo. Cristo supera a dialética entre judeus e gregos; entre a lei e a Filosofia através da reconciliação com a Pessoa de Cristo.
A partir de Cl 1.20 em paralelo com Ef 2.12-18, é apresentada a comunhão com Deus de tipo pessoal de cósmica.
Em 2Cor 5.17-20, a pessoa que vive a unidade em si é uma pessoa nova. Tudo isso vem de Deus. O resgate do homem com seu redentor e salvador é obra de Deus através de Cristo, de uma pessoa, e não de uma dialética.
Tudo aquilo que é divisão é superado. O encontro dos apóstolos com o Senhor. Que experiência! Porque se toca a carne, a humanidade é bendita, santa de Cristo que agora está à direita do Pai. O resgate do fiel por Cristo é dado por uma pessoa, e não por um discurso. A volta do ser humano quebrantado para Deus é via Cristo pessoal. Portanto, é Deus quem reconcilia por Cristo.
É o olhar de Cristo que toca um coração dividido, contrito, quebrantado. É o reconhecimento da pessoa de Cristo que supera toda e qualquer divisão. Um fato marcante disso, é a famosa cena do filho pródigo no Evangelho que chora de dor ao lembrar do Pai. Isso não o move ainda. A dor ainda não é suficiente para fazê-lo sair do lugar. Mas na casa de meu Pai há tanta comida! O que move o caminho é a presença amorosa do Pai. É uma sinergia entre Deus e o homem, entre o movente e o movido, entre a Graça e a contrição, entre Cristo e o quebrantado que liberta integralmente o ser humano de todo pecado.
Toda essa experiência de libertação, de reconduzir o cristão perdido pelo pecado até Deus, é marcada pelo nosso SIM ao apelo salvador de Cristo em aceitá-lo verdadeiramente. É, em última instância, o SIM do crente a Cristo que o faz uma nova criatura, onde o abandono passa a dar lugar a uma presença real e atuante de Cristo. Nosso SIM pronunciado a Ele já foi dado mais de uma vez, “Pedro, Tu me amas?” Sim, nós o amamos.
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