
O
jornalismo da Rede Record teve acesso às gravações de telefonemas entre
o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso acusado por 15 delitos, e o
diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, que mostrou o
esquema em que o contraventor controlava o que seria publicado na
principal revista da Editora Abril.
Os documentos que o ‘Domingo
Espetacular’ teve acesso com exclusividade trazem provas de que as
informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao
menos em cinco capas da revista de maior circulação do país.
As gravações registram ainda que a
influência esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para
demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se
desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtora Delta.
Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários
funcionários do ministério foram afastados.

Carlinhos Cachoeira é acusado por 15 delitos
Cachoeira se orgulha de “plantar” notícias na Veja em benefício próprio e sabe até quando determinadas matérias sairão.
A revista ainda não se manifestou
abertamente em relação ao caso. O diretor de redação da Veja, Eurípedes
Alcântara, publicou na internet artigo sem citar nomes em que afirma que
“ter um corrupto como informante não nos corrompe”.
A reportagem do Domingo Espetacular
ouviu especialistas, que registraram grave problema ético no tipo de
jornalismo praticado pela Veja diante de tantas ligações criminosas.

“Ter um corrupto como informante não nos corrompe”, disse o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara
O professor Laurindo Leal Filho, da USP,
avalia que o controle da publicação não pode ser da fonte. “O
jornalista pode e deve falar com qualquer tipo de fonte desde que tenha o
controle sobre a publicação e a matéria que ele está fazendo. Quando
ele oferece à fonte o controle (…), ele rompe os limites éticos”, disse.
O presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj), Celso Schroder, critica o envolvimento da Veja no
escândalo do Cachoeira. “Nesse caso, houve uma relação promíscua muito
intensa, unilateral”.
O deputado federal Fernando Ferro
(PT-PE) acredita que a CPI do Cachoeira, que começou os trabalhos na
semana passada em Brasília, deve convocar não apenas o jornalista
Policarpo Júnior, mas também o responsável pela editora que publica a
Veja, Roberto Civita. “Na minha opinião, ele é o principal responsável.
Ele é o dono dessa revista, e ele operou com vontade”.
O colunista Reinaldo Azevedo, do site da revista Veja, fala sobre o assunto em seu artigo: “Edir Macedo, que frauda o sentido da Bíblia ela-mesma, não será o autor de uma bíblia do jornalismo ético”. Confira!