Como Deus pode conhecer os pensamentos que surgirão amanhã em meu espírito de maneira contingente?
Diante de tudo que já experimentamos de Deus, constatamos que Ele é espírito, é inteligência e é vontade. São atributos imanentes à Deus que chegamos a eles por meio da analogia.
Há uma distinção da ciência e da vontade de Deus com relação ao objeto e ao modo.
Objeto principal da ciência de Deus é Ele mesmo. Deus não conhece nada fora d’Ele. Deus conhece todos os seres n’Ele próprio. Ele conhece tudo em si mesmo. O objeto da ciência de Deus é Ele mesmo e sua essência divina também, todos aqueles seres possíveis de sua existência.
O modo como Deus conhece não pode ser o mesmo do homem. O homem conhece raciocinando, passando sempre da potência ao ato, do ato à potência, como afirma Aristóteles. Se Deus conhecesse como o homem, Ele dependia do homem, portanto, Deus não raciocina e não conhece como o homem conhece.
Deus não necessita de discorrer, de discutir e nem de ir a um ponto a outro ponto. Cada anjo é uma idéia. Deus é uma só idéia simplicíssima. A essência de Deus contém a imagem das coisas em si mesmas.
Nós esquecemos que o futuro contingente, livre, não tem sentido senão para uma consciência histórica, ao longo do tempo, aos poucos, em períodos. É em relação a um poder de futuro que me prendo. Mas, para Deus, não há futuro. O seu ato é um ato de ETERNIDADE. Por isso, o meu ato contingente de futuro, para Deus é presente, para Ele tudo é presente, todos os nossos atos está no presente de Deus, na eternidade de Deus. Tudo está sob o olhar infinito de Deus.
Há que penar um pouquinho diante desse mundo cão! Há que se penar!!!
Portanto, o futuro contingente só tem sentido para uma consciência histórica. É sempre um poder de conhecer para um futuro possível. Porém, Deus está acima do contingente, do necessário. O olhar de Deus é a própria simplicidade do seu ser.
O objeto da vontade de Deus é Ele próprio. Secundariamente, Deus ama as criaturas. Mas o objeto de sua vontade é Ele mesmo. O amor para Deus não é um bem possuído porque Deus possui tudo, inclusive a si mesmo. Deus ama tudo que existe, mas não os ama como nós amamos. O amor de Deus é um amor que cria e infunde nas criaturas a bondade que ama. Com essa intenção, Dostoievisk fora capaz de afirmar: “Amigos meus, Deus lhe é necessário porque é o único ser que lhe pode amar eternamente”.
Na mesma linha de pensamento, Platão foi enfático: “Só fazendo-nos semelhantes a deus é que podemos conhecê-Lo”. Quando tenho, certamente, uma fé profunda, encontro a luz misteriosa para percorrer seus caminhos. Com Pascal, filósofo francês, não foi diferente: “Miséria do homem sem Deus, implica felicidade do homem com Deus”. Um oriental, assim afirmou a respeito de Deus: “Temo a Deus e depois de Deus, temo a quem não O teme”.
Desta feita, Deus não nos deixa cansar, a não ser que nos cansemos d’Ele, pois prometeu que estaria sempre conosco até a consumação dos tempos. “O pior cansaço é o cansaço de nós mesmos”(Eu).

Jackislandy Meira de M. Silva,
Professor e Filósofo.
Confiram:
www.umasreflexoes.blogspot.com
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